AVALIAÇÃO SEUS VELHOS DILEMAS E NOVAS IMPLICAÇÕES.
Sandra Sá dos Santos
Universidade
Bandeirante, Campo de Marte, São Paulo, Brasil.
RESUMO: A
base metodológica deste estudo é resultado de uma pesquisa bibliográfica cujos
objetivos são: sensibilizar os professores para que tomem consciência de que ao
avaliar o desempenho educacional não são apenas os alunos, mas sim todos os que
estão envolvidos neste processo; alertar para reflexão e avaliação de suas
posturas e perceber que a imposição do sistema educacional nos faz meramente
reprodutores de uma cultura que não nos pertence e, principalmente
conscientizar sobre a importância do trabalho do professor perante a sua
atuação no processo social e histórico da formação do ser humano. Surge então,
a necessidade pessoal de responder a duas inquietações muito importantes, a
primeira pretende descobrir qual é o objetivo real dos sistemas de avaliação
promovidos pelo governo e a segunda, quais são os efeitos dessa avaliação no
contexto da sala de aula. As inquietações serão brevemente respondidas na qual a primeira é que os governos querem
controlar as ações educativas por serem geradoras de grandes fontes de recurso
financeiro e em consequência disso a segunda demonstra que nada muda o contexto
de sala de aula porque a universalização do ensino propiciaram mais vagas para
as classes populares sem modificações no espaço físico da escola.
Palavras-chave:
avaliação, competência e jogos de poder.
Durante
vinte e um anos na área de educação e somente há três anos como professora
surgiram duas inquietações de grande importância, a saber: qual é o objetivo
real dos sistemas de avaliação promovidos pelo governo? – entenda-se aqui governo em qualquer âmbito,
municipal, estadual ou federal – e quais são os efeitos e implicações dessa
avaliação no contexto da sala de aula? Enquanto professora as questões mencionadas me
incomodam. Quando estive diretora de escola na educação infantil a situação era
considerada normal e comum.
A
base metodológica deste estudo tem caráter bibliográfico e visa sensibilizar os
professores para que tomem consciência de que sua avaliação sobre o desempenho
educacional não atinge somente aos alunos, mas todos os envolvido no processo;
alertar para a reflexão e avaliação de suas posturas e perceber que a imposição
do sistema educacional nos faz meramente reprodutores de uma cultura que não
nos pertence e, principalmente conscientizar sobre a importância do trabalho do
professor e sua atuação no processo social e histórico da formação dos
indivíduos.
Foram
verificadas ideias de diversos autores mencionando a forma como as avaliações
foram instituídas e implantadas e a falta de relação e coerência com o universo
da instituição escolar e seu entorno. A maior atenção foi dispensada aos autores
que convergem com as minhas ideias sobre o tema.
Neste
contexto surge a questão da quantidade de avaliações que ocorrem na escola
durante o ano, sendo importante e necessário que o professor reflita sobre as
demandas e responsabilidades da sua sala de aula, independente do tempo dispendido
tentando chamar a atenção dos alunos para a demanda de informações recebidas e
da necessidade de pautar a relevância dos assuntos principalmente quando não há
um desempenho satisfatório que traduzidos em índices podem ser veiculados à
mídia de forma incorreta.
No
passado não tão distante, pois a escolarização no país é bastante nova em
relação aos demais países europeus, o professor tinha menos recursos e apesar
de avaliar de forma rude tinha o seu tempo e espaço para fazê-lo, hoje com toda
tecnologia temos tempo para reclamar do aluno, mas não temos a condição
necessária para avaliá-lo de forma correta e imparcial.
Os
cursos da área de Pedagogia nos habilitaram professores dos níveis iniciais da Educação
Básica e não formaram cientistas da Educação, este seria o objetivo principal
na Formação Acadêmica da Pedagogia nas Universidades, dessa forma criaram um
classe de professores heterônomos que seguem livros didáticos, apostilas e
outros infindáveis recursos, o que nos tornam meros reprodutores de
conhecimento e estudo dos outros. Surge então a questão do livro de José Carlos
Libâneo (Pedagogia e Pedagogos para quê?), cujo tema central da indagação é
saber por que a Pedagogia é confundida com Formação de Professores, desvinculando
a Pedagogia das Ciências da Educação. O professor não é considerado um
cientista da Educação, mas é o manipulador do objeto de estudo (aluno). Quem
determina quais são os conteúdos apropriados, adequados e quando devem ser
executados são os especialistas e cientistas da Educação, exatamente aqueles
que estão longe do objeto de estudo, não convivem com o aluno, não sabem sua
história de vida, não conhecem o entorno e nem a realidade existente da
comunidade ou escola. Falam com
propriedade sobre educação e o que sobra para os professores é ter a habilidade
e competência necessárias para reproduzir o trabalho, seguir o roteiro de
avaliação que vem pronto tanto quanto o manual de orientações para o aplicador e
que foram produzidos por outros fora do enfoque necessário e contexto
específico.
Dessa
forma LIBANEO descreve a relação de interesses e objetivos:
...“Os que atuam mais diretamente na prática
educativa escolar – professores, administradores escolares, diretores,
supervisores de escola, psicólogos – se dizem educadores, mas nem sempre os
sentidos que dão ao termo educação aplicam-se às mesmas realidades. Por
exemplo, educadores ocupados em planejar, organizar, supervisionar um sistema
estadual de ensino terão menor interesse em temas como aprendizagem da leitura;
um professor do ensino fundamental raramente deter-se-á em aprofundar estudos
da política e gestão do sistema escola. Para uns, importa mais a educação como
instituição social; para outros a educação como processo de escolarização. Entre
os que se dedicam a formação de nível superior ou de nível médio, é comum
tomarem apenas o aspecto da totalidade do fenômeno educativo decorrente da área
de estudo em que são especialistas – sociologia, psicologia, economia,
filosofia, linguística e etc. ...” (LIBÂNEO, pg. 70, 2002).
Embora
esta não seja a nossa discussão é necessário apresentar algumas informações
porque se o professor é um mero reprodutor de conteúdos, chegamos exatamente na
questão da avaliação sistematizada pelo governo e que nos parece ser mais
importante do que qualquer outro tipo de avaliação e também na qual a
importância do professor é totalmente descartada quanto ao seu pensamento,
conduta e experiência sobre a avaliação.
Os
índices da educação básica (IDEB) mostram que não é o aluno que vai mal e sim a
Instituição Escolar, que não criou recursos suficientes e nem se adequou a
metodologia para que seus alunos consigam as habilidades necessárias para
continuar e concluir seus estudos a contento. Quem ainda acha que o aluno tem que
caber no molde não compreende que o aluno e a sociedade mudaram e a escola
apesar de todos os recursos materiais e humanos está tentando mudar.
Este
trabalho visa entender por que a avaliação tem que ser sistematizada e
distribuída em ranking, se assim não o fossem as escolas e as universidades não
teriam seus índices de aproveitamento divulgados pela imprensa ou órgãos
oficiais determinando vergonhosamente a colocação em lugares. Como se toda a
escola coubesse dentro de um molde específico criado pelos governos e seus
especialistas da Educação cuja formação acadêmica nem sempre é a Pedagogia e
nunca atuaram como professores nas áreas propensas a problemas de toda
natureza.
A
medida de controle é utilizada para verificar quem está cumprindo suas tarefas
com competência e é por este motivo que se ganha prêmios por desempenho
educacional, dinheiro que deveria ser disponibilizado independentemente de
qualquer condição, pois a verba é destinada a valorização do magistério e não
pelo desempenho do aluno e empenho do professor ou escola.
O
artigo está dividido em quatro partes, na primeira a compreensão que se faz do
uso da avaliação e o seu sentido, as três partes seguintes traduzem o
pensamento e as ideias dos autores tratando das questões pedagógicas e
políticas no sistema de ensino e por último as considerações são apresentadas
com o objetivo da compreensão do problema de pesquisa e fechamento de todo o
trabalho, embora este trabalho ainda requeira aprimoramento e pesquisa de
campo, cuja preocupação primordial é saber do aluno e do professor quais são
seus maiores entraves na relação de aprendizagem e avaliação.
Nenhum comentário:
Postar um comentário